28 fevereiro 2017

Desigualdades salariais na Europa: quais as tendências?

Um Relatório do Eurofound, “Recent development in the distribution of wages in Europe", (www.eurofound.europa.eu ), deu a conhecer  os desenvolvimentos na distribuição dos salários na União Europeia, tendo dada ênfase à perspectiva europeia, mas olhando também para as tendências dentro de cada país, em termos comparativos.
Em síntese, as principais conclusões respeitam aos seguintes pontos:
  • ·         Assistiu-se a uma reversão do processo de convergência dos níveis salariais dos vários Estados Membros, depois da crise de 2008. Se entre 2004 e 2008 se verificou uma redução das desigualdades salariais, no conjunto da Europa, estas desigualdades voltaram a subir após 2008.
  •          A redução das desigualdades salariais até 2008 deveu-se fundamentalmente a um processo de convergência real e de diminuição das desigualdades nos países europeus do leste, aliado a uma estagnação dos salários nos dois maiores países, a Alemanha e o Reino Unido.
  •          Contudo, nos países do sul, designadamente em Portugal, os níveis salariais médios convergiram somente em termos nominais até 2008 (e estagnaram em termos reais) e sofreram perdas significativas, em termos nominais e reais, depois disso. Os salários médios da Alemanha voltaram a crescer muito marginalmente e os dos países do leste recuperaram o crescimento após uma queda inicial.
  •          Dentro de cada país, as tendências variaram consideravelmente, embora o padrão mais comum tenha sido cíclico, ou seja, a desigualdade salarial aumentou ate 2008 e decresceu depois disso. Nos Estados Membros do leste registou-se porém uma descida consistente das desigualdades salariais ao longo de todo o período 2004-2011.
  •          Nalguns casos, as tendências observadas nas desigualdades salariais, no interior de cada país, contrastam marcadamente com as verificadas nas desigualdades dos rendimentos, em termos mais gerais. Quando isso aconteceu, nomeadamente nos países do Sul, a razão deveu-se ao impacto da crise do desemprego, que fez subir a desigualdade dos rendimentos, ao reduzir drasticamente os ganhos dos que perderam os seus empregos, ao mesmo tempo que fazia diminuir a desigualdade entre os salários.
  •          A negociação colectiva teve um efeito de diminuição do leque salarial, uma vez que os sectores com maior cobertura convencional conheceram níveis mais baixos de desigualdade salarial.


É convicção geral que a reversão do processo de convergência nos níveis salariais, que teve lugar após 2008, levantou as maiores preocupações quanto à coesão social no projecto europeu, uma vez que os salários são um elemento fundamental das condições de vida. Defende o Relatório que as políticas económicas europeias não podem passar ao lado das tendências observadas. Apenas os países do leste conheceram desenvolvimentos claramente positivos, sendo que os países do sul não tiveram convergência real e viram aumentada a desigualdade entre os salários, a qual apenas foi atenuada porque o crescimento do desemprego veio a ter repercussões sobre estes rendimentos. 

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